Não perca as oportunidades

Há um provérbio chinês muito apropriado que diz:
Existem três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.
Então pense antes de agir, pense antes de falar, mas não demore a pensar o que deve fazer quando uma oportunidade aparecer em sua vida!!!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Teologia de Paulo

1. Natureza Teológica da obra de Paulo
Os estudos sobre o pensamento Paulino, se dividem em dois pensamentos básicos: Justiça jurídica e Justiça ética.
Essa distinção tem-se desenvolvido em um estudo muito importante, e a maioria dos escritores sobre o assunto se tem pronunciado a favor de idéia ética, como mais básica ao pensamento Paulino posterior, e como mais representativo de Paulo em seus anos maduros.
O pensamento ético pode-se dizer que certamente se parece mais com o pensamento expresso em Efésios e Colossenses e com a mensagem geral da redenção ou salvação que certamente é a mensagem central da teologia de Paulo.
Alguns estudiosos pensaram que tinham encontrado o manancial do pensamento Paulino, em uma espécie de mistura das religiões misteriosas orientais helenistas e elementos doutrinários do judaísmo. Finalmente observamos que a idéia de religião misteriosa não conquistou aprovação, embora tenha continuado a exercer grande influência sobre os estudos acerca de Paulo.
Alguns tentaram ligar o pensamento de Paulo com as idéia gnósticas, especialmente as idéias gnósticas acerca da natureza do mundo, seus muitos níveis de espíritos, autoridades, etc.acreditam nessa idéia, pois julgam estar isso refletido em Efésios e no primeiro capitulo de Colossenses. Sabemos, todavia, que essas duas epístolas de Paulo são livros escritos contra as formas iniciais de heresia gnóstica, e não é provável que Paulo tivesse apoiado um acordo justamente com a heresia que atacava.
As obras de Paulo não são produções gnóstica, ele nega as especulações gnósticas, dá apoio ao Antigo Testamento e sustenta a doutrina da ressurreição, também defende um elevado código moral.
Paulo concordava essencialmente com a declaração gnóstica, de que existem vários níveis e de seres espirituais, que existem princípios bons e maus neste mundo, cada qual investido de sua própria autoridade, tanto no céu como na terra. Porem, contrariamente aos gnósticos, o apóstolo ensinava que a testa de todos esses poderes avulta a pessoa de Cristo, que é o Deus criador de tudo.
Paulo não tinha que apelar para as idéias do gnosticismo, a fim de ensinar que a obra redentora de Cristo finalmente triunfaria sobre todos os poderes cósmicos malignos, pois essa mesma idéia Cristo expressou ao declarar “Eu vi Satanás caindo do céu como um relâmpago”. (Lc. 10.18)
Apesar da grande doutrina de Paulo não ser geralmente ouvida dos lábios de Jesus, isto é na exposição que os evangelhos fazem dos ensinos de Jesus, em coisa alguma estava em desacordo com os ensinos essenciais dele.

2. A natureza revolucionária da ética paulina
Devemos considerar quão revolucionaria era a visão ética de Paulo. Paulo, o ex-fariseu, rejeitava a lei como base de pratica ética!
A doutrina Paulina, por sua parte, era que o Espírito é agora o padrão e o guia da ética. Em outras palavras, um código escrito foi substituído por experiências pessoais, a saber, a capacitadora Presença de Deus. Quando Paulo afirma que o crente não esta debaixo da lei, quis dizer que não está debaixo da lei nem como medida justificadora nem santificadora, mas sob a influência e orientação do Espírito de Deus. A lei do Espírito nos torna livres, vivos e espiritualmente crescentes.
A presença do Senhor, o Espírito, é que faz toda a diferença, e não nossos esforços por nos ajustarmos a algum código; e assim sem aquela Presença, já teremos sidos derrotados em nossa batalha contra o pecado.
A base de toda ação ética para Paulo era o amor, segundo ele o amor é o solo onde são cultivadas todas as virtudes cristãs. O amor é divino; o amor é cultivado em nós pelo Espírito de Deus. O amor transforma; o amor é o cumprimento mesmo da lei, seu espírito e condicionamento. “Quem ama os outros não faz mal a eles. Portanto, amar é obedecer a toda a lei.” (Rm 13.10)
A ética ensinada por Paulo era revolucionária, mormente considerando-se que ele fora um fariseu, para quem a lei de Moisés havia sido norma de toda a sua crença e ação. Não obstante Paulo asseverou que sua doutrina não anulava a lei, antes em sua mente, ela confirmava a lei. Porem vemos que a forma que Paulo estabelece a lei não é exatamente aquilo que a mente judaica teria antecipado por meio dessa expressão
Paulo não confirmava a lei nem como poder justificador nem como poder santificador, mas tão somente como uma apta ilustração e demonstração da pecaminosidade do pecado. A lei empresta ao pecado o seu poder, pois sem lei o pecado jamais teria podido ser imputado aos homens.
Mediante a lei vem o pleno conhecimento do pecado, o pecado é revivido pela lei, mas a lei nada faz para ajudar-nos a por em obras aquilo que pensamos ser melhor e nem nos capacita a agir em conformidade com a ética cristã.

3. Os padrões do pensamento de Paulo
Os padrões do pensamente de Paulo são judaicos ou helenísticos?
Alguns estudiosos do século XIX insistiam que o pensamento Paulino era judaico até o âmago. Outros apresentavam Paulo como o helenizador do cristianismo, eles interpretam a escatologia e a antropologia Paulina do ponto de vista de um dualismo helenístico modificado. A antítese entre carne e espírito seria um dualismo ético e o morrer e o ressuscitar seria uma transformação espiritual. Isso teria suas raízes num dualismo antropológico; assim, no futuro, a redenção envolve o livramento da alma de sua casa de barro. Porem, Paulo igualmente fala sobre a ressurreição do homem inteiro dentre a morte.
Conclui-se que Paulo mantinha simultâneamente pontos de vista judaicos e gregos, lado a lado, sem qualquer pensamento sobre sua incoerência essencial.
4. As fontes do pensamento Paulino
Para alguns estudiosos a origem do pensamento de Paulo era seu peculiar problema escatológico forjado no caldeirão mental do judaísmo posterior. Entretanto a escola da História da religião que se levantava, não encontrou qualquer base para o misticismo sacramental de Paulo no judaísmo. Apesar de reconhecer o problema escatológico, edificou e desenvolveu sobre o Paulo gentio ainda uma outra elaborada reconstrução da época apostólica. Essa escola interpretava o paulinismo dentro do arcabouço das religiões misteriosas orientais helenísticas.
Os mistérios falavam tal qual o fazia Paulo, de um Deus que morria e ressuscitava, de redenção sacramental, de mistérios, de gnõsis, e de espírito. Como menino em Tarso e posteriormente como missionário, o apóstolo caiu sob a influência dessas idéias e elas exerceram uma profunda influência em sua teologia.
A principal contribuição da História da Religião foi levantar a importante questão da relação teológica de Paulo para com o mundo religioso dos gentios. Os paralelos com a religião de mistério perderam sua preeminência; não obstante permaneceu de pé a convicção que o pensamento de Paulo foi substancialmente helenístico.
Para determinar a relação entre Paulo e o pensamento helenístico, a área que corretamente recebe a maior parte da atenção é o gnosticismo. Esse movimento religioso-filosófico salientava um dualismo metafísico, livramento da matéria por meio de um dom divino e pelo poder de gnõsis, isto é, um conhecimento especial sobre Deus, além da mediação de anjos que assistiam o individuo na salvação. No inicio do século XX salientaram que certos pensamentos de Paulo se inclinam para direção do gnosticismo.
Porém, a verdadeira indicação para a compreensão sobre o paulinismo é o fato que baseia o pensamento Paulino no judaísmo helenístico e no cristianismo helenístico. Desse pano de fundo Paulo teria obtido certo numero de conceitos, como, por exemplo, a redenção sacramental e o dualismo ético, que eram gnósticos ou até certo ponto influenciados pelo gnosticismo.
Se por um lado Paulo se opôs aos gnósticos em Colossos, nesse processo ele modificou não somente a sua terminologia, mas também os seus conceitos, particularmente a sua Cristologia e a sua cosmogonia.

5. A essência escatológica do pensamento de Paulo
Já vimos que o alicerce de todo pensamento teológico de Paulo é o do dualismo apocalíptico desta era e da era vindoura. Esta claro que isto não foi criação paulina, pois encontramos tal idéia emergente no judaísmo do primeiro século; e os sinópticos representam-na como aquilo que fornece estrutura básica para os ensinamentos de Jesus.
No entanto vimos que Paulo, como cristão, fez uma modificação radical neste dualismo temporal. Por causa do que Deus fez na missão histórica de Jesus, o contraste entre as duas eras não permanece intacto. Pelo contrário, as bênçãos redentoras trazidas ao homem pela morte de Jesus e sua ressurreição e a doação do Espírito Santo são eventos escatológicos. Isto quer dizer que a escatologia paulina é inseparável do pensamento teológico de Paulo como um todo.
Os eventos da consumação escatológica não são eventos meramente destacados que estão no futuro, sobre o qual Paulo especula. São pelo contrario, eventos redentores, que já começaram a se mostrar na história. As bênçãos do século vindouro não estão mais exclusivamente no futuro; tornaran-se objetos da experiência presente.
A morte de Cristo é um evento escatológico. Por causa da morte e Cristo, o homem justificado já está do lado da era vindoura no julgamento escatológico, absolvido de toda culpa. Em virtude da morte de Cristo, o crente já esta livre deste presente século mau. Ele foi transferido do reino das trevas e agora conhece a vida do reino de Cristo.
A ressurreição de Cristo é um evento escatológico. Cristo já aboliu a morte e mostrou a vida e imortalidade do Século Vindouro, num evento que ocorreu dentro da História. A luz e a glória que pertencem ao Século Vindouro já brilharam neste mundo de trevas, na pessoa de Jesus Cristo.
Por causa desses eventos escatológicos, o crente vive a vida da nova era. A própria expressão que descreve o status do crente, “em Cristo”, é um termo escatológico. Estar “em Cristo” significa estar em uma nova era e experimentar sua vida e poderes. “Pelo que, alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Co. 5.17). O crente já experimentou a morte e a ressurreição. Ele foi ressuscitado com Cristo e exaltado ao céu compartilhando da ressurreição e da vida glorificada de seu Senhor.
A presente ambigüidade da nova vida em Cristo requer retorno de Cristo, para completar a obra da redenção, já iniciada. O tema central da escatologia paulina é a consumação do propósito salvador de Deus. À parte do retorno de Cristo e a inauguração da Era Vindoura, a obra redentora de Deus permanece inacabada.
A escatologia de Paulo está concentrada principalmente nos eventos que marcarão a transição desta era para a Era Vindoura: o retorno e Cristo e ressurreição dos mortos.
Paulo usa três palavras para descrever o retorno o Senhor. A primeira é parousia, que pode significar tanto “presença” como “vinda”. A vinda Cristo será também um apokalypsis, um “desvelamento” ou “descoberta”. O poder e a gloria, que são agora seus, devido a sua exaltação e audiência celeste, têm que ser revelados ao mundo. Um terceiro termo é epiphaneia, “aparição”, indica a visibilidade do retorno de Cristo.
O retorno do Senhor não será nenhum evento secreto, oculto, mas a entrada na história da gloria de Deus. Contudo, seu reino e sua liderança não são evidentes ao mundo, assim, a segunda vinda de Cristo é inseparável da ascensão e audiência celestial, pois desvelará seu presente Senhorio para o mundo e será o meio pelo qual todo joelho, finalmente, se dobrará e toda língua reconhecerá seu Senhorio (Fil. 2.10,11).
O fundamento desta linguagem da vinda de Cristo em glória é a linguagem da teofania do Velho Testamento. O Velho testamento concede Deus obrando na história, para completar seus propósitos de redenção; mas também busca um dia da visitação divina, quando Deus virá em juízo e salvação, para estabelecer se Reino. Em o Novo Testamento, esta teofania divina é cumprida na vinda Cristo; e o retorno glorioso do Senhor é necessário, para trazer salvação ao seu povo, julgamento para os maus e para estabelecer o Reino, que é agora seu, no mundo.
A teologia da vinda de Cristo é a mesma, tanto em Paulo como nos Sinópticos. A salvação é uma questão que tem a ver apenas com o destino da alma individual. Ela inclui todo curso da história humana e a humanidade como um todo. A vinda de Cristo é um evento definitivo, para todos os homens; ela significa ou salvação ou juízo. Além disso, a salvação não é meramente uma questão individual; ela diz respeito a todo o povo de Deus, e isto inclui a transformação de toda esta ordem física.
A meta da redenção é nada menos do que o estabelecimento da lei de Deus em todo o mundo, para que Deus seja tudo em todos. (I Co. 15.28).

6. O centro da teologia Paulina
Haverá algum conceito unificador, a partir do qual a teologia de Paulo possa se desenvolver?
As soluções para este problema têm, geralmente, se centralizado tanto na justificação pela fé como na experiência mística de se estar em Cristo. Sob a influência da reforma, muitos estudiosos têm visto a justificação pela fé como a essência central do pensamento Paulino. Na erudição recente, tem-se instalado uma reação contra a centralidade da justificação.
O centro do pensamento Paulino é a realização da nova era de redenção, através da obra de Cristo. Certo estudioso da Reforma assinalou que há perigo em se fazer da justificação pela fé a doutrina central, a saber, o perigo de privar a mensagem de Paulo de sua “dinâmica histórica redentora” e de fazê-la um tratamento atemporal da justificação individual. O centro unificador passa a ser a obra redentora de Cristo como o centro da história da redenção. O tema básico do Kerigma de todo Novo Testamento é que o cumprimento da redenção histórica, que começou com a vinda de Cristo, está chegando.
A teologia de Paulo é a exposição dos novos atos redentores; a característica comum, em todas as suas idéias teológicas, é o seu relacionamento com o ato histórico de Deus da salvação em Cristo. O significado de Cristo é a inauguração de uma nova era de salvação. Na morte e ressurreição de Cristo, as promessas da salvação messiânica do Velho Testamento se cumpriram, mas dentro da era antiga. O novo veio dentro do alicerce do antigo; mas o novo também está destinado a transformar o antigo. Portanto, a mensagem de Paulo é tanto uma escatologia realizada como futurística.
Esta interpretação de Paulo o coloca em posição de profundo contraste com o judaísmo. Ele, como judeu, sentia que a revelação estava incorporada em sua totalidade na lei. Não se devia esperar nada mais de Deus, neste século, além da lei Deus já não estava mais ativo em auto-revelações, na palavra profética ou em eventos históricos. A lei sozinha era o foco de revelação. A experiência de Paulo no caminho de Damasco fê-lo imaginar que a mensagem dos primeiros cristãos, que ele havia tão rigorosamente rejeitado, era verdadeira, que Deus havia atuado novamente, ao revelar-se a si mesmo e a sua salvação, num evento histórico – Jesus de Nazaré. Paulo encontrou uma nova compreensão da revelação; ou melhor, ele recuperou o entendimento profético da revelação como eventos libertadores divinos, interpretados pela palavra profética: “Pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (II Co. 5.19).
A conversão de Paulo representou uma recuperação do sentido da história libertadora, que judaísmo havia perdido. A sua experiência de Cristo levou-o de volta para além da Lei Mosaica, para redescobrir a promessa feita a Abraão e ver seu cumprimento recente nos eventos na pessoa e na obra de Jesus.

7. A preeminência de uma Teologia de Redenção, Justificação e Reconciliação.
A pesquisa histórica desde a reforma tem reconhecido que a teologia paulina é acima tudo de tudo uma teologia redentora. Durante o século XIX colocava-se uma ênfase crescente sobre a união com Cristo atual como sendo o aspecto central dessa redenção.
Os dois foci escatológicos, a morte e a ressurreição de Cristo e a parousia, tem sido reconhecidas como a chave para o significado de união com Cristo. Jesus Cristo em sua morte e ressurreição derrotou para todo tempo os poderes da antiga era - o pecado, a morte e os dominadores deste mundo tenebroso. Então os crentes foram crucificados, ressuscitados, glorificados e postos à mão direita de Deus juntamente com Cristo.
Essa redenção conjunta, em e com Jesus Cristo, essa realidade da nova era, na qual o crente entra por ocasião da conversão. Na vida presente significa uma transformação mediante o Espírito que habita no intimo as primícias da nova vida ressuscitada, que envolve a ética do individuo e o ponto de vista total do individuo sobre o mundo.
Em meio à renovação moral-psicológica o crente permanece, em sua mortalidade, sob as reivindicações da morte da era antiga. Porem não deve ser compreendido nos termos de “em Adão”, mas como parte da realidade “em Cristo”; pois os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor.
Dessa maneira a redenção paulina não é um livramento espiritual que culmine no escape da alma por ocasião da morte; é antes uma redenção física que culmina no livramento do homem total, por ocasião da parousia. A redenção deve ser compreendida não em termos de um dualismo grego, mas dentro do arcabouço do ponto de vista judaico-testamentário sobre o homem como um ser unificado e como alguém que não somente vive como individuo, mas também em solidariedade conjunta.
Paulo emprega muitos termos para demonstrar obra de Cristo. Um dos mais importantes é a justificação pela fé. O verbo justificar é “dikaioõ”, construído sobre a mesma raiz de justo e justiça. A idéia expressa por dikaioõ é declarar justo, não transformar em justo. A idéia principal em justificação é a declaração de Deus, o juiz justo, de que o homem que crê em Cristo, embora possa ser pecador, é justo – é visto como sendo justo, porque, em Cristo, ele chegou a um relacionamento justo com Deus.
A importância da justificação, no pensamento teológico de Paulo tem sido debatida, e levado alguns estudiosos à conclusão de que a doutrina da justificação não era a idéia central no pensamento teológico de Paulo, mas apenas uma polemica que ele criou com o propósito de lidar com a controvérsia judaizante. Ele nunca teria formulado a doutrina da justificação pela fé fora das obras da lei, se não tivesse sido requisitado a responder aos judaizantes, que insistiam que os gentios tinham que guardar a lei para serem salvos.
De fato, toda a religião paulina pode ser exposta em que nenhuma palavra seja dita a respeito da doutrina, a não ser que seja numa parte dedicada à Lei.
A doutrina paulina da justificação só pode ser entendida contra o embasamento do Velho Testamento. Entre os gregos, justiça era uma qualidade humana inata, já no Velho Testamento, justiça é uma doutrina distintamente religiosa. Se o verdadeiro significado do radical está perdido, os estudiosos geralmente concordam que a idéia básica é conformidade a uma norma.
A maioria dos estudiosos contemporâneos entende que a justificação contém uma relação, m vez e uma qualidade ética, e o significado distintivo Paulino é estar com Deus. Basicamente, justiça é um conceito d relacionamento. É justo que cumpri as exigências colocadas sobre si pelo relacionamento em que se encontra. Não é uma palavra que se designa o caráter ético pessoal, mas a fidelidade a um relacionamento.
Como tal, a justiça torna-se uma palavra de grande significado teológico. Justiça é o padrão que Deus determinou para a conduta humana. Homem justo é aquele que no juízo de Deus, encontra o padrão divino, e assim se encontra num relacionamento justo com Deus.
Outro conceito teológico importante para Paulo é a doutrina da reconciliação. Essa doutrina esta estreitamente aliada à da justificação. A justificação é a absolvição, do pecador, de todo pecado; a reconciliação é a restauração do homem justificado ao relacionamento com Deus. Embora a doutrina de reconciliação não desempenhe um grande papel no pensamento de Paulo em termos de espaço dedicada a ela, é, não obstante, uma doutrina essencial e integral em seu padrão de pensamento.
O caráter objetivo da reconciliação é uma mensagem dada ao apóstolo, para ser proclamada aos homens. Deus, em Cristo, reconciliou os homens consigo mesmo e deu, aos apóstolos, o ministério da reconciliação. Deus deu ao homem uma mensagem de reconciliação que foi efetuada através da pessoa de Cristo.

O Evangelho de Paulo
1. Israel e os gentios no propósito salvador de Deus.
Paulo dissera que o caminho da justiça de Deus com base na fé foi apresentado no Evangelho “primeiro para o judeu e também ao grego” (Rm.1.16). os judeus em sua maioria não tinham aceitado o evangelho, enquanto os gentios o tinham abraçado em grande numero. Algumas pessoas poderiam dizer que a recusa os judeus em aceita-lo frustrou o propósito divino. Paulo rejeita essa conclusão. Ele mostra que tem sido uma atitude repetida na história de Israel que alguns membros da nação responderam o chamado de Deus, enquanto outros tinham sido desobedientes.
O evangelho tinha sido explanado claramente ao povo judeu daquela época, assim como as mensagens dos profetas tinham sido transmitidas aos seus ancestrais, e nenhum deles podia dizer que não o ouvira. Apesar disso, havia um remanescente escolhido de judeus que criam em Cristo e agora, como nos dias antigos, era no remanescente fiel que a esperança do futuro do povo estava investida.
Se a ordem de proclamação era primeiro para o judeu e também ao grego, a ordem de aceitação era primeiro pelo grego e depois também pelo judeu. Paulo esperava muito do seu ministério como apóstolo aos gentios, pois não apenas estes eram abençoados diretamente, mas os judeus seriam abençoados indiretamente.
Paulo faz seguir sua exposição do evangelho de exortações práticas. Em vista de tudo o que Deus fez por seu povo em Cristo, a vida deles deve ser dedicada a seu serviço. Eles são todos membros do corpo de Cristo, e devem exercer suas respectivas funções para o bem-estar do todo. Em todas as suas relações com os outros, devem evidenciar a misericórdia perdoadora de Cristo. Paulo demonstra estar familiarizado com o ensino de Jesus que nos foi preservado no sermão do Monte. Apesar de suas palavras serem anteriores ao mais antigo dos evangelhos que temos, ele conhecia boa parte do conteúdo deles em forma anterior.
A avaliação muito positiva da administração imperial que ele faz, reflete a sua experiência feliz com essa administração nas províncias. Paulo não era irrealista a ponto de supor que os poderes estabelecidos sempre protegeriam os interesses do evangelho; ele devia ter concordado tão rapidamente como Pedro e seus companheiros com a afirmação de que quando o estado entrava em conflito com as coisas de Deus, “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).
Paulo tinha sido purificado e enviado por Deus, não diretamente ao povo cujo coração estava endurecido contra a mensagem, mas para mensagem e seus benefícios salvadores a outros, para que o povo de coração endurecido começasse a cobiçar esses benefícios e acabasse abraçando a mensagem à qual os benefícios estavam ligados. Assim a história da salvação se consumiria, e Paulo tinha um papel d destaque como instrumento escolhido por Deus para trazer essa consumação.
2. A necessidade universal
Paulo prepara o cenário para a exposição do evangelho, enfatizando a necessidade universal dessa mensagem, para que haja esperança para a raça humana. A raça humana é declarada moralmente falida, aos olhos de. Nesse sentido, gentios e judeus, com todas as diferenças que há entre eles, estão no mesmo nível.
Paulo assume essa forma e adapta ao seu propósito, vendo a condenação dos pagãos o resultado de um processo de retribuição divina na história. A raiz do problema foi a idolatria, a adoração a seres criados em vez do Criador. E a idolatria não foi só um erro inocente: o verdadeiro conhecimento de Deus estava acessível a todas nas coisas que ele criou, de modo que os que decidiram não lhe devotar a lealdade exclusiva que lhe era devida, não tinham desculpa a apresentar.

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